AS CONDIÇÕES DO DISCIPULADO

E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre,  não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: este homem começou a construir e não pode acabar. Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo. O sal é certamente bom; caso, porém, se torne insípido, como restaurar-lhe o sabor? Nem presta para a terra, nem mesmo para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. (Lucas 14.25-35)

Quando Jesus proferiu estas palavras, estava cercado de grandes multidões, v. 25. enquanto a multidão tinha seus planos, Jesus tinha os dele. Enquanto a multidão vai em busca de benefícios, bênçãos, emoções, excitações, aventuras, vantagens por serem discípulos, ao mesmo tempo Jesus adverte sobre as dificuldades, os perigos, e os sacrifícios que provavelmente acompanharão na vida do discípulo. Categoricamente Jesus determina: “carreguem a cruz”.   Ao lançar este balde de água fria na multidão, ele continua baseando seus estudos com ilustrações (conf. V. 28-35). A idéia central destas ilustrações é a reprovação de Jesus diante de um discipulado mal avaliado e impulsivo. Em síntese, Jesus convoca todos seus discípulos a serem como Ele que jamais voltaria atrás desistindo da cruz que lhe era peculiar. Este texto bíblico nos apresenta três condições indispensáveis para o verdadeiro discipulado.

I – AMAR A CRISTO (AMOR) Lemos assim o verso 26: “se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Tanto neste verso26, como nos 27 e 33, vemos declaração de Jesus, a qual exige do discípulo uma condição. Ou seja, se não aborrecer a família e a vida, não pode ser seu discípulo; se não tomar a cruz e carrega-la não pode ser seu discípulo e se não renunciar a tudo quanto tem também não pode ser discípulo de Jesus. Mas por que Jesus nos convida a aborrecer a família? Deus não criou a família? O significado do vocábulo “aborrecer” é: “amar menos”. Em outras palavras o amor do discípulo por Cristo deve transcender a todo e qualquer amor terreno e se compararmos o amor que exercemos a Cristo com o que exercemos a outros, o amor que demonstraríamos aos outros seriam comparados como ódio, dando a impressão que odiamos os demais. O amor a Cristo deve ser maior que o amor próprio, porque Jesus é Deus. Veja o que Ele disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. Disse-lhe Judas, não o Iscariotes: Donde procede, Senhor, que estás para manifestar-te a nós e não ao mundo? Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou”. Eis portanto, a razão porque Jesus exige do discípulo esta condição de amor: “porque Ele é Deus”.  

II - RENUNCIAR-SE A SI MESMO (RENÚNCIA) O verso 27 nos diz: “E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo”. No evangelho em Mateus capítulo 10, no verso 38 lê também: “... quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim”.  Jesus pronunciou estas palavras antes de tomar a cruz quando estava a caminho de Jerusalém, onde seria mais tarde crucificado. Para os judeus a cruz era um instrumento humilhante a qual trazia sofrimento, angustia, e eventual morte. Lucas capítulo 9 do verso 51 até capítulo 19 verso 27, marcam o início e a chegada de Jesus a Jerusalém, onde Ele assumiria a cruz voluntariamente. Se redefinirmos este verso “E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” concluiríamos o seguinte: ASSIM COMO EU ASSUMI A CRUZ PARA SALVAR VOCÊS, ASSUMA A CRUZ PARA SALVAR A OUTROS. Aceitem a humilhação, o sofrimento, a angústia, eventual morte, exílio, a impopularidade renunciando a vos mês e salvem a outros, assim como estou salvando a vocês.

III – ENTREGAR-SE INCONDICIONALMENTE (ENTREGA) Enquanto amar a Cristo, tem a ver com os aspectos afetivos; a renúncia tem a ver com a nossa atitude e a entrega tem a ver com nossos recursos. Jesus exige do seu discípulo o direito de dispor de seus recursos e bens pessoais. E isto quer dizer que não somos os donos daquilo que nos pertence, mas somos administradores do que Deus nos concede. Não somos nada mais nada menos que MORDOMOS, porque “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Fundou-a Ele sobre os mares e sobre as correntes a estabeleceu. (conf. Salmo 24.1-2)” Assim é necessário que façamos os seguintes questionamentos acerca de nós mesmos: qual a minha atitude diante de meus bens pessoais? Quanto darei a Deus e Como me darei a Deus e ao seu Reino? Como posso ser uma bênção àqueles que estão perdidos? Quanto vou investir no Reino de Deus?

CONCLUSÃO Após determinar as condições do discipulado, Jesus levanta o problema do sal quando torna insípido, sem qualidade, sem valor nenhum àqueles que necessitam dele. A única coisa que resta é lança-lo fora. Portanto faz-se necessário manter este sabor e esta qualidade de discípulo. Devemos AMAR, RENUNCIAR e ENTREGAR,  somente assim seremos discípulos.
 

De: 07/01/2012
Por: Pr. Márcio Aguiar da Silva



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